João Bobo e Maria Doida
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Desde que cheguei em Valladolid, não passei mais mais de 2 semanas sem ir no Jardin de Estambul [como está grafado lá], uma lanchonete que se chama de restaurante turco [eles têm 3 tipos de prato: kebab, döner e lahmacun, que são quase a mesma coisa, além de salada e crepes, o resto é variação dos ingredientes] e que fica a uns 10 minutos da minha casa. Eu não tenho certeza se ele é o melhor, o mais perto ou o mais barato, mas eu sempre fui nele e nunca me arrependi.
Sendo cliente fiel há mais de 3 meses, aparecendo lá quase duas vezes por semana, eu me acostumei com os cozinheiros/atendentes/caixas/garçons que geralmente estão quando eu vou. Os apelidei mentalmente de João Bobo, um cara alto de uns quase 40 anos e meio gordinho, e Maria Doida, uma mulher de uns 30 e pouco que provavelmente tem origem turca, tem o cabelo pintado de um quase-ruivo estranho e, como o nome diz, é meio doida..
João Bobo é um cara razoavelmente simpático e que estava lá para me acudir nos momentos de vício em kebab, quando eu passei um mês ou mais indo lá duas vezes por semana. A frequência era tanto que ele já sabia o que eu ia pedir e eu acabei achando isso legal. Sabe-se lá o que passou na mafia gastronômica turca, João Bobo não está mais por lá. Talvez esteja em outro restaurante, pois o Jardin tem outras duas filiais, ou se ele foi morto. Talvez ele até tenha tirado férias, vai saber?
Maria Doida é doida. Não tem muito o que dizer. Tem um cara, meio baixinho, ator-de-Bollywood-like que é como se fosse o gerente/capataz da máfia turca e que fica rodando o bairro e visitando cada ‘Jardin’. Dia desses Maria tava de bobeira na porta do restaurante sentada numa cadeira fumando, trabalhava sozinha, e o cara foi encher o saco dela. Era apenas o cigarette break da coitada, todos os clientes tinham sido atendidos, não ia fazer mal algum. Ela voltou ao balcão e, quando ele se virou e foi embora, ficou dando dedada e cara feia pra ele. Daí que tirei o nome Maria Doida. Pensei até que ela fosse se demitir/ser demitida, mas até agora está vingando por lá.
O último fato curioso foi o fato de que eu sempre preço o Durum [um kebab "lanche"] e uma porção de batatas fritas pra levar pra casa, mas por mais uns 60 centimos dá pra comprar uma lata de Coca-Cola, coisa que eu nunca faço porque não vale a pena. A louca, ontem, me deu uma lata de graça. Por conta da casa, disse ela. Fiquei besta, mas feliz! Não sei se foi o reconhecimento dela por eu ser um cliente assíduo ou se foi o aparente desprezo pelo restaurante, mas ganhei minha latinha. Viva Maria!
Continuarei um cliente fiel ao Jardin de Estambul, até que Viena nos separe.
Ugo.
Tom Waits – Closing Time [o que dizer?]
27/05/2011 às 18:03
Gostei, Mofi, isso é o que chamam Vida de barrio….
Aliás, pensei que era um blog sobre teus primos menores….
27/05/2011 às 18:04
um post…..
27/05/2011 às 18:05
eita.. eu até tinha pensado em Maria, principalmente quando falei Viva Maria! Tinha esquecido do coitado do João!