De onde surge essa galera?

Voltei agora da primeira noite do bom e velho Abril pro Rock. Além de ser um grande evento em relação às bandas, é uma grande experiência antropológica, principalmente na noite do metal! Tentei vivenciar todos os ângulos que se pode ter num festival desse porte. Vi o show de perto, vi de longe, fui no meio da galera, estive o show todo do Matanza no meio da rodinha.

Pois bem, independente do lugar em que me encontrava, meus olhos estavam prestando atenção a todos que se encontravam ao meu redor. E pense numa coisa legal fazer isso! Eu nunca tinha tido a chance de ver tanta gente bizarra junta. Vão dizer que eu nunca fui a um show de metal na minha vida. Tá bom que eu não sou aquele quase-ancião que viu o Black Sabbath lançar o seu primeiro álbum, mas posso dizer que nos últimos 3 ou 4 anos eu tenho ido a 90% dos shows mais importantes de metal que aconteceram aqui por Recife. Por isso, eu posso dizer que já sabia o que esperar da galera que ia aparecer, maaas…

Não tenho condições de fazer um relato seguindo uma linha do tempo correta, até porque não estava segurando um maldito caderninho de anotações, tinha nem pra quê. As primeiras observações não foram realizadas na entrada, até porque tava tudo tranquilo por lá. Aqueles carros de som tocando as músicas que viriam a seguir e a galera no bom e velho warm up.

Infelizmente, perdi o show da AMP e não lembro muito bem da galera que tava vendo o show da Black Drawing Chalks. A brincadeira começou mesmo no show do Matanza. Uma pessoa que vê um show deles tem que estar disposta a entrar na rodinha e se divertir. Paz não é uma palavra que frequente o dicionário do vocalista Jimmy London e quem tá lá no meio certamente não tá procurando por isso. Eu também não esperava encontrar Mahatma Gandhi ou sua reencarnação pregando o peace and love por lá e eu estava a fim de aliviar um pouco do stress desse dia-a-dia sofrido de concurseiro.

E lá no meio daquele ciclone de alucinados se estapeando, eu comecei a perceber que tava mais preocupado com olhar pra galera do que necessariamente atingir alguém. E pude concluir: quanta gente estranha estava por lá. Desde os habituais carecas de suspensório que parecem ser órfãos de Nasi, do IRA!, passando pelo estereótipo do metaleiro-não-muito-extremo recifense: o cara de calça jeans escura, sapato normal e uma camisa preta de alguma banda. Além deles, tinha aquela galera que se empolga demais e calça bota, bota calça do exército [eu tinha que fazer essa velha piada do ‘por que bota a gente calça e calça a gente bota?’ HAHA], camisa de alguma banda de metal extremo do mal, além daquelas toneladas de coleiras, pulseiras, spikes e crucifixos invertidos que foram imediatamente vetados pela segurança do evento. O que mais me chamou a atenção lá na rodinha não foi nem a aparência do povo, e sim o comportamento dessa galera. Enquanto os órfãos-de-Nasi marchavam dando murros cavalares a la Zangief do Street Fighter, sempre revidando com o triplo da força aqueles que ousavam triscar neles, os caras que aproveitaram aqueles coturnos do período em que passaram no CPOR saltavam alucinadamente tentando derrubar algumas das estátuas móveis que tavam por lá. Além desse duelo dos robocops contra os seres que tentavam ser o mais dark possíveis, havia um bando de efedepê que, acabada a música, naqueles 15 segundos que o cara tem para relaxar e respirar, chegavam empurrando a pessoa por trás. Pra que isso? ¬¬

Passando da parte da guerra, toda hora que eu ia mais pra trás pra comprar uma cerveja ou mesmo só pra relaxar, eu encontrava alguma pessoa, digamos… ‘notável’. Vi uns caras que fizeram com que eu percebesse uma coisa: não sou o cara mais feio de Recife. Tem gente que se esforça pra disfarçar a feiura, mas em contrapartida tem uns seres do pântano que fazem o maior esforço possível para chegar à feiura de Lemmy, nosso amigo do Motörhead. Alguns caras chegavam a causar aquele questionamento: que tipo de adubo/fertilizante/shampoo esses caras usaram pra fazer crescerem essas moitas que lembram, de vez em quando, o fantasma jamaicano, isso quando não lembravam um caboclo de lança. Mas vai ver a inspiração deles vinha do carnaval, já que a cidade histórica era ali do lado mesmo.

Não lembro se tenho mais algum aspecto a ressaltar sobre esse assunto, mas pra mim fica a observação que os metaleiros cada vez superam-se mais no quesito feiura/esquisitisse. Tenham medo.

Ugo.

The Keith – Noiseless [eles estarão amanhã rockeando o Abril pro Rock. Certeza!]

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