Insônia Criativa

Daqui a três horas e meia estarei acordado de novo. Pra falar a verdade, não é o que desejo, mas até que tou gostando de estar com os olhos abertos contra a minha vontade inicial [afinal, a consequência disso vem amanhã com o cansaço]. Mas, porém, contudo, entretanto, não obstante, blablabla, essas horas a mais me renderam ideias [sem o acento, se Jockey um ler esse post] que há um tempinho legal eu não tinha.

Escrevo, já faz uns meses, algumas letras de música para um amigo meu, Vitor Ioiô, que toca violão, canta e fica encarregado de musicá-las [isso já acontecia antes com Raíssa, que musicou Broken Dream e outra que não lembro o nome, e com a galera da Woohoo, que musicou Solto na Buraqueira e Today We Have Fiesta]. Com Ioiô o negócio é o samba e certo dia ele disse que eu tava sendo muito direto com minhas letras, tipo muito literal.

Então, nesses últimos dias, decidi prestar atenção nas letras de uma galera que sabe metaforizar a vida com palavras que encantam e que me fazem gastar uns minutos do dia elucubrando. A citar: Tom Waits, Casuarina, Chico Buarque e Cartola principalmente [sem contar com a anteção que eu prestei a mais nas outras músicas, mas esses foram os mais importantes].

Somando minha atual insônia [criativa, bastante] com esse espírito metafórico, escrevi 3 letras que espero que agradem a ele e a quem um dia por ventura chegue a ler/ouvir.

Ah, sim. Eu queria escrever uma coisa no meio do texto e acabei esquecendo, vou dizer agora no final porque achei legal, haehaehea. ‘A criatividade hoje tá tão grande que eu olhava pra foto de perfil no orkut e já me vinha uma letra pra fazer quase pronta na cabeça’.

Vou deixar por aqui ‘Vou Esperar’ e vou pra minha cama… esperar.

Vou esperar
O tempo te trazer
Calmamente aguardo
Isso vai acontecer
É questão de oportunidade
Eu sei que vai dar
Não é vaidade
Só vou esperar
.
Porque nosso destino está traçado
Tenho ele anotado
Posso até te contar
.
Já te vi
Mas não era a hora certa
Mas em breve a gente se acerta
Tá escrito aqui
.
Então vou esperar
O tempo te trazer
Calmamente aguardo
Isso vai acontecer
.
É questão de oportunidade
Eu sei que vai dar
Não é vaidade
Só vou esperar

InsideAlt – Armin van Buuren – Imagine (2008)

Era pra ser um blog novo, mas pela trabalheira que dá fazer review desse jeito, vai ficar o post por aqui e talvez, em algum dia de muita ociosidade, eu faça de novo.

Imagine (2008)

Estranho começar um blog sobre reviews de CDs e shows justamente com um artista que eu não conheço muito e um gênero que há muito tempo eu não dava muita atenção: o trance. Geralmente eu me refiro à música eletrônica como ‘Tuntz Tuntz’, já que é padrão a quase sempre presente ausência de vocais (os DJs/compositores de música eletrônica nunca foram lá grandes liricistas) e também as batidas podem parecer bastante repetitivas. Porém não posso falar assim desse álbum de Armin van Buuren chamado Imagine. Aqui não há musica se repetindo, apesar da participação de varias cantoras, cada uma traz uma contribuição especial para esse álbum e eu, aqui em casa, fico imaginando como seria estar num show desses [e pra minha sorte vai ter Armin van Buuren aqui em Recife no 3º Burn Reality].
Análise faixa a faixa:
01. Imagine
A faixa-título é instrumental e começa bem cadenciada com uns barulinhos e um sintetizador meio Star Trek. Pouco após, um piano que perdura pela música inteira começa a ser tocado, dando um quê de intimismo e causando um impacto orquestral [e positivo] para o álbum em questão. Começa depois um naipe de sopros sintetizado e a guitarra do irmão de Armin chamado Eller van Buuren. Acabada a guitarra e o som galático, a parte que mais me lembra o ‘tuntz tuntz’ entra em cena. Uma batida pesada no melhor estilo vamo-animar-que-o-show-finalmente-começou e esse warm up dura um bom tempo, até que o piano reaparece em perfeita sincronia com o ritmo e os efeitos espaciais. O objetivo do nosso caro DJ holandês é explorar todos os sentidos, ainda que essa intenção seja bastante subjetiva.
02. Going Wrong (with DJ Shah feat. Chris Jones)
Essa é uma parceria com o DJ Shah, Benno de Goeij [co-produtor de Armin, entre outros] e Chris Jones. Com certeza é O apelo pop do Imagine. É aqui que nosso caro holandês voador vai decolar porque a música, que teve até clipe, foi feita na medida para conquistar as massas. Começa despretensiosa, mas rapidamente vai mostrando a que veio, principalmente com a voz de Chris Jones, que vem com tudo pra encantar o público feminino. Depois de um pouco de letras mais gemidas do que cantadas [ainda que no momento certo e do jeito certo], aparecem um violão e a batida para, dando espaço ao refrão que com certeza é bastante catchy. Os sintetizadores vão aparecendo lentamente e a batida reaparece dando aquele ápice à musica, empolgando [com toda certeza e excluindo-se apenas quem estiver sob efeito de calmantes] quem estiver ouvindo. Acabando esse clímax, a música volta ao normal, com Chris cantando/gemendo, a batida um pouco mais lenta e ocasionalmente uma paradinha para o violão/refrão e o reclímax. Hit certeiro.
03. Unforgiveable (feat. Jaren)
Esse é o 3º single do Imagine. Quem é Jaren? Não sei, a única informação que tenho é que ela é filha de Jon Voigt, cantor de country, mas o que importa é que a senhorita canta muito bem e nessa música os ouvintes são levados a pensar sobre a vida e sentir o ambiente. A voz dela encanta durante a música toda, ajudando a atingir o objetivo de levar você a uma experiência sublime, principalmente se estiver no ambiente de uma festa/rave/party em que todos estejam sintonizados na mesma vibe.
04. Face to Face
Armin se limita a usar samples de Denise Rivera nessa música. São mais vocalizações do que alguma frase coisa realemente cantada, seguindo o ‘paradigma’ trance. Além da batida, do sintetizador e da nossa amiga Denise, quem se destaca é o piano, que volta mais uma vez para dar um tom intimista na música. A primeira metade se concentra mais nas vocalizações e num ritmo mais controlado, enquanto a segunda parte traz o clímax, com uma aceleração das batidas e o piano sendo sentido com mais intensidade. Depois a música volta ao normal e se finaliza só com as teclas e um resto da atmosfera.
05. Hold On to Me (feat. Audrey Gallagher)
Do mesmo jeito que Face to Face acaba calminha, Hold On to Me começa. A guitarra de Eller van Buuren faz-se presente no começo da música, que é bem introspectivo e que, com a chegada da batida, vira mais um hit de boate. Falo isso porque é difícil distinguir o que tem aqui daquele [pouco] que eu já vi em outras festas. A voz de Audrey chega para espantar esse sentimento de mesmice, mas, pelo menos para mim, ela não convence. É um estilo muito sem sal e americanizado, parecendo até alguma dessas pop artists cabulosas que a gente encontra ao zapear pela MTV. O som alterna entre upbeats e downbeats, com momentos legais e momentos em que parece encheção de linguiça. Dá pra se empolgar do meio pro final quando Armin remixa a voz dela, repetindo-a infinitas vezes e trazendo o pancadão. Depois, rola um momento trance/Coldplay e a música encaminha-se para seu final.
06. In and Out of Love (feat. Sharon den Adel)
Segundo single lançado por Armin, essa faixa conta com a participação mais do que especial de Sharon den Adel, a vocalista da banda de metal sinfônico [eu prefiro chamar de pop metal..] Within Temptation. A vocalista, que pelo nome sempre pensei que fosse israelita ou algo parecido [mas na verdade é tão holandesa quanto nosso DJ em questão] dá um show de versatilidade e traz uma das melhores músicas do Imagine. Deixando de forma compacta [é complicado escrever mil linhas sobre uma música só], há uma constância de calmaria no começo que rapidamente é substituída por um ataque de batidas animadas e empolgantes e que rapidamente voltam pra esse state of mind relaxante e introspectivo. É uma montanha russa tão bem projetada que podia ganhar um prêmio de engenharia.
07. Never Say Never (feat. Jacqueline Govaert)
Mais uma participação especial, dessa vez uma cantora boa e uma música que começa calminha e despretensiosa, mas que quando chega no refrão ‘and never say never again […]’ o pau começa a comer e aí se segure quem estiver na pista, em casa, dentro do carro ou em qualquer canto. A batida e o sintetizador foram utilizados da melhor forma para não deixar ninguém parado. Por sinal, esse foi o 5º single lançado do Imagine.
08. Rain (feat. Cathy Burton)
Uma música predominantemente atmosférica que fica passeando por um quase-xilofone sintetizado e o muito-presente piano. A voz de Cathy Burton se mistura junto aos sons e mais uma vez podemos fazer uma viagem pelo espaço sideral e entrar em transe [trance = transe, vale ressaltar].
09. What If (feat. Vera Ostrova)
Nessa faixa podemos até entender o que nossa amiga Vera Ostrova quer dizer, falando ‘what if I.. got into/my mind’s velocity/what if I.. finally discovered/the rules of eternity’. É para pensar, filosofar e viajar no sobe e desce de sintetizadores. A batida se torna um pouco mais percussiva e Vera só volta a cantar [vocalizar uns ‘what if I’] bem no final da música. Essa é das boas.
10. Fine Without You (feat. Jennifer Rene)
Esse é o 4º single do Imagine e a última participação especial do CD. A música começa de uma maneira um pouco inusitada, já que a batida e o teclado parecem mais Muse do que trance. Ledo engano. A batida a la Tuntz Tuntz aparece, como sempre, e agora é acompanhada por algo que parece um fuzz bass e que dá um tempero especial. A voz de Jennifer demora a aparecer, mas vem bem intensa e emotiva, como é a intenção dessa faixa, e que, pelo menos para mim, tem o objetivo de ser um pop/trance/dor-de-cotovelo bem feito e com potencial de conquistar as massas e os perfis de orkut alheios. ‘I’m fine without you now/I don’t need you here/I’m fine without you now/Can you disappear’ não é um grande exemplo de poesia, mas com certeza vai cair como uma luva em quem tiver passando por um momento break-up doloroso. Mais uma música bastante interessante.
11. Intricacy
Armin está sozinho nessa última faixa, pelo menos é o que me parece. Ele não teve participação especial nem usou a samples, embora a música seja escrita por Sean Tyas, um DJ americano. Ela começa logo bastante intensa, com uma batida forte e um sintetizador meio ciborgue que não conseguem deixar meus pés parados, mesmo eu estando sentado numa cadeira nesse exato momento. A música é bastante direta, não tem muita firula e parece que a missão dela é agitar. E Armin consegue fazer isso com maestria.
Para quem: apreciadores de música eletrônica em geral e aprendizes de apreciadores de música eletrônica, já que o som é bem easy-listening na medida do possível do universo musical eletrônico.
Para não quem: pagodeiros, bregueiros, swingueiros, super-metaleiros, super-roqueiros e todos que sejam intolerantes à música eletrônica.
Ugo.

Reveillon longe

Passei o reveillon em Maracaípe. Fui pra lá por causa da festa que teve chamada La Lune, a top das tops das festas de reveillon que ocorreram esse ano. Falando sobre a viagem e o pré/pós show foi tudo tranquilo, fui com meu primo Rômulo e um amigo nosso chamado Chico, rolou uma peixada no Bar do Marcão, cervejinha de leve, cochilo da tarde e deu tudo certo, mas o que me motivou a escrever esse post foi onde eu tava.

Maracaípe é uma praia bonita, cheia de gente e tudo mais, porém 99% dos meus amigos tavam em Recife, fosse no Enchanté, fosse na Av. Boa Viagem ou em algum outro canto, mas tavam lá. Eu fui pro La Lune por causa da festa e não dos meus amigos e até agora me pergunto se não teria sido melhor ter ficado por aqui a troco de ir para uma festa menos legal, mas que nela eu teria certeza que encontraria bem mais gente, comemoraria e curtiria mais do que eu fiz lá em Maraca.

Esse post tá bem trash, não tou muito a fim de sair escrevendo pra deixar tudo explicadinho, o que vale é o questionamento festa x amigos que tá ocorrendo agora na minha cabeça.

Ugo.

Teclas Pretas – Nó dos Mais Gravatas