Delírios

Zeca estava sentado na sala lendo um livro, quando Jorge chegou discursando freneticamente:

O problema é que eu tenho o coração vazio e preciso de alguém para preenchê-lo.
Vejo em cada uma a possibilidade, a esperança.
Não é a coisa mais certa, não é a coisa mais bonita, mas a necessidade sempre fez o homem e comigo não seria diferente.
Tenho minha estrela guia, a mais desejada, a mais amada. Não obstante, o espaço não está reservado a ela, só é dada a preferência.
O que poderia impedir-me de que uma mulher bondosa, de boas intenções, hábitos e feições se aproximasse?
É uma solução para quem não tem nada e que sua preferida o esnobe a cada conversa, não é?
Em relação a ser amado, isso não dependeria de mim, dependeria dela. A mim cabe amá-la, porém não entendo a definição clara de amar.
Resume-se a companhia e fidelidade? Ora, isso posso fazer sem o mínimo afeto. Preciso de algo mais além disso, preciso saber o que fazer.
Posso aprender a amar, porém preciso de alguém para praticar, afinal, sozinho é impossível.

Zeca ficou parado, pensando. Desde que a febre o atingiu, seus delírios eram cada vez mais constantes. O médico disse para ter calma, pois a medicação não demorará para fazer efeito.

Ugo.

Seu Jorge – América Brasil [montando um repertório samba-rock esperto ;)]