Ode à mazela

[mazela, no meu palavreado coloquial remete a preguiça, falta do que fazer, tédio]

Chega mais uma sexta-feira assim como poderia chegar mais um feriado ou recesso do trabalho.  Ela demora, mas chega. E a felicidade que vem anexa é incrível e até revigorante depois de uma cansativa semana, de um cansativo ano.

A primeira vontade que se tem é de fazer tudo que era desejado e não podia ser feito. Principalmente as coisas mais animadas e que nos custam mais energia, festas, beber, jogar, etc. Buscamos a exaustão física e mental.

Porém, para mim, o mais importante de um momento em que estou sem trabalhar, é chegar ao estado de mazela. É como ficar em transe após uma meditação feita por algum monge budista que pratica isso há anos. A mazela, a assim como a meditação, é o momento em que não se tem em mente mais nada. Não se pensa em movimentar, não se pensa em se preocupar ou em querer fazer alguma coisa, no fim das contas, não se pensa.

A mazela é o tudo gerado a partir do nada, a maneira de se relaxar da maneira mais completa possível. De se constatar que não há mais nada a se fazer e ficar contente com isso.

Porém, assim como a meditação, a mazela chega a um ponto que irrita e causa angústia, mas este é o exato momento em que a mente chega à conclusão de que está recuperada e pronta para mais uma exaustiva jornada em busca de gastar cada ponto de energia e fazer o corpo implorar, mais uma vez, pela sua querida mazela.

Ugo.

Ellie Goulding – Lights [ajuda a relaxar]