Num ônibus repleto de galerozos.

Alguém que tenha começado a ler esse blog e tenha mantido o hábito de frequentar aqui uma vez ou outra perdida, deve ter notado que,  da quinta 16 [quando foi criado o blog] até a quinta 23 [aniversário de 1 semana], eu estava postando mais ou menos 1 post por dia. Desde quinta de noite que não postei nada, mas foi porque deu branco mesmo. O assunto que eu ia escrever na sexta de noite, preferi deixar pra depois. E aí não consegui mais arranjar assunto pra escrever.

Esclareço logo que esse blog não tem regimento algum que me obrigue a manter um ritmo de postagem, mas desde que eu acho legal ficar escrevendo e acho uma atividade bastante válida, então quero tentar manter um ritmozinho legal. Mââs, eu sempre vou tentar manter o mínimo de qualidade dos posts. Para mim, não vale a pena eu escolher uma palavra do dicionário e começar a escrever na doida sobre isso. Prefiro sempre usar algum fato vivido, alguma coisa que escutei e que valha a pena falar sobre ela.

Bem… deixando o queijo de lado:

Alguns devem saber que tou numa cruzada rumo ao concurso público do Ministério da Fazenda – Receita Federal e que, pra ter no mínimo uma chance de vencer essa batalha, eu tenho que ir pras aulas lá do NUCE, que vão de domingo a domingo. Saindo de lá hoje, fui pra Conde da Boa Vista pegar um ônibus pra chegar em casa. Pra minha sorte, apareceu logo o Setúbal (Cde. Boa Vista) que para aqui perto. E foi aí que aconteceu o fato gerador [direito tributário na cabeça hahaha] desse post: subi no ônibus e vi que estava repleto de galerozo [com ênfase no Z porque eles mesmo devem escrever/digitar assim].

Raciocínio Lógico agora: hoje é domingo [sem pé de caximbo ¬¬], vai dar meio-dia agora [naquela hora] e a passagem é promocional, logo a galera toda vai pra praia. Nada contra, eu também iria pra praia num domingo se me chamassem, mas como preferem ir no sábado, vou do mesmo jeito. Sentei lá na cadeira do lado de um espécime do gênero Homo galerozus, que estava sem camisa, vestindo aquela berma [ou berna] de sempre e suas sandalhas mais castigadas que a galera que arde nos mármores do inferno lá da antiga novela O Clone.

Como é mais ou menos de praxe, comecei a observar atentamente o comportamento deles, coisa que já tinha feito em outras oportunidades, mas nunca tinha escrito nada sobre isso. Pois bem, o traje é bastante característico e não muda dentro da região litorânea de Pernambuco, ou seja, se você encontrar um galerozo na praia do Pina e encontrar um galerozo perdido sabe-se-lá-como/sabe-se-lá-por que na praia de Toquinhos, 99% de chances de que ele esteja vestido com uma bermuda a la ‘Rota do Mar’, uma sandalha faux-havaiana, se estiver com camisa, será um abadá de algum evento pagodístico de 2 ou 3 anos atrás e, como parece ser regra, a ‘prata’ [aquele colar típico de galerozos].

O comportamento é um tanto quanto peculiar. Os de idade adulta ficam conversando entre si [vale ressaltar que quase berrando e falando num quase-dialeto galerozês que eles criaram pra manter essa comunicação quase-tribal], enquanto os mais jovens ficam se divertindo pulando pra lá e pra cá do ônibus. Por sinal, hoje tinha um boy de uns 8 anos que eu achei que ele era um mix de Gollum com E.T., ô bichinho feio. A praia preferida deles, sabe-se-lá-por que, é a praia do Pina. Talvez porque os hermanos galerozos deles sejam boa parte de Brasília Teimosa, ou então porque eles gostam mesmo, mas né lasca..

Ainda tem os galerozos excepcionais, que aparentam ter uns reais a mais no bolso e se produzem [eles se produzem? tava mais pra desprodução], usando gel, roupas mais estilosas [no conceito deles, claro], brincos e uns óculos escuros aberrantes que a gente fica se perguntando de onde diabos eles tiraram inspiração pra usar isso. Não vou nem me aprofundar nas influências do vestuário da tribo galeroza.

Nem falei das fêmeas, que uma boa parte deve se proclamar ‘piriguete’. Não me perguntem a origem etimológica dessa palavra, não tenho nem pista de onde ela vem. Só sei que tem umas músicas que usam essa expressão para denominar as companheiras, irmãs e, de vez em quando, as mães dos galerozos, nos casos em que elas participam desses rituais regados a Nova Schin, cachaça, salgadinhos Torcida e música da mais bizarra possível [fuleiragem music]. As mulheres se vestem [ou deixam de se vestir], com as bermudas que, se conseguem passar de 1/3 da coxa é muito, com tops que deixam o umbigo com um raio de uns 30cm descobertos, usam algum shampoo a la Colorama que fede exorbitantemente e parece deixar o cabelo delas mais pixaim ainda e alguma coisa no pé que eu não cheguei a observar, mas deve ser as mesmas paraguais [já que de havaianas não tem nada] que algum tempo atrás foram utilizadas pela irmã piriguete mais velha.

Os galerozos gostam muito de falar de futebol, piriguetes e acho que só isso, porque na meia-hora que eu passei do lado deles, só ouvi conversa sobre isso. Se eles falam de outra coisa, quem sabe um dia eu descubra sobre o que é. Meu medo é de que eles gostem de astronomia, de filmes cult e de metafísica… o mundo estaria perdido. Pra minha sorte [ou não, vai ficar a curiosidade sobre o que eles falam], eles desceram antes de chegar na Av. Domingos Ferreira.

Ugo

MC5 – Kick Out the Jams